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Corte de Cana: Retirantes que buscam sobrevivência noutras regiões


As freqüentes secas que castigam o Nordeste fazem com que um grande número de nordestinos busque alternativas de sustento nas mais diversas regiões do País. A região Sudeste é a mais procurada por ter uma gama de alternativas de empregos. Entre elas, o corte de cana de açúcar.
Minas Gerais e São Paulo são as opções que levam a crença ao nordestino. Os dois estados são os maiores produtores de cana de açúcar do país.
O sol nem bem raia e milhares de homens se espalham pelos canaviais das cidades pólos produtoras de cana-de-açúcar do estado de São Paulo. Com equipamentos de segurança rudimentares no corpo e foices afiadas nas mãos, os trabalhadores cortam enormes feixes de cana queimada a cada golpe. Eles têm pressa. Sabem que sua remuneração está diretamente ligada à produtividade. Os melhores cortadores chegam a empilhar até 8 toneladas de cana-de-açúcar num único dia de trabalho. A jornada é dura e desgastante, mas o contracheque médio de 1 100 reais serve de estímulo para esse grupo de trabalhadores, formado em sua maioria por migrantes nordestinos.
No Vale do Piancó diversos trabalhadores seguem rumo aos estados de Minas gerais e São Paulo, em busca de sustento para as suas famílias, que geralmente, ficam na região do sertão paraibano. O tempo médio que cada trabalhador fica por lá é cerca de 2 anos. Tempo suficiente para trazer as economias feitas no período de trabalho na atividade canavieira.
O dinheiro ganho no período, passado por lá, garante a sobrevivência de famílias inteiras no Nordeste e faz prosperar a economia de pequenas cidades encravadas no sertão. Porém, nos últimos tempos, existe uma tensão, em decorrência do fim das queimadas, que foi antecipado de 2021 para 2014. Assim, desde o acordo firmado entre as usinas produtoras de etanol e governo do estado de São Paulo, o as vagas para trabalhadores braçais vem diminuindo. Nas últimas três safras, o número de vagas tem caído em média 15% ao ano. No mesmo período, a quantidade de colheitadeiras em atividade quadruplicou. Hoje existem cerca de 140 000 cortadores de cana em São Paulo, número que cairá para zero em quatro anos.
Na cidade de Conceição, muitos trabalhadores também saem da zona rural e urbana com destino aos setores canavieiros dos estados da região Sudeste. Fronteiras em Minas Gerais é a cidade que mais acolhe os trabalhadores de Conceição.
Essa semana, a reportagem do VALE DO PIANCÓ NOTICIAS, esteve presente no momento do embarque dos ônibus que levam os trabalhadores do Vale do Piancó para o corte de cana, nos interiores dos estados de São Paulo e Minas gerais.Na ocasião da visita, o portal teve acesso aos trajetos dos ônibus, que têm como base a cidade de Princesa Isabel, no sertão da Paraíba. Os ônibus se juntam na cidade de Conceição, local de onde eles seguem em direção da cidade de Princesa Isabel, para que os trabalhadores sejam fichados nas empresas do setor canavieiro.
Segundo um cortador de cana de cidade de Itaporanga, Gilson Vieira, presente na hora do embarque, a passagem custa 300 reais, mas o retorno é garantido. Com um salário em médio de 1 500 reais por mês, conquistado graças a um desempenho muito acima da média, os trabalhadores sustentam as famílias na Paraíba e conseguem economizar até 400 reais por mês. Terminada a safra, em novembro, cada trabalhador que volta para casa, traz em média 10 mil reais, uma boa fortuna para os padrões da economia do interior do estado da Paraíba.
Em algumas regiões, famílias inteiras partem para o corte de cana, mas muitos sabem que a atividade que hoje garante o sustento de todos está com os dias contados.
Até 2014, o corte manual será eliminado dos canaviais paulistas - uma evidência de avanço social e ambiental. O problema: o que farão 140 000 cortadores que dependem desse trabalho para sustentarem suas famílias no Nordeste?

 Fonte: Gilberto Angelo

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