Quem decide é o povo: a encruzilhada política de Cícero Lucena
Na política, há um princípio que jamais deve ser esquecido, e que o prefeito da Capital Paraibana brada por todo canto, “Quem decide é o povo”. E o povo, com sua memória viva, dificilmente perdoa a ingratidão. O prefeito Cícero Lucena chegou ao cargo graças a uma soma de fatores onde não podem ser desprezados, o apoio decisivo do governador João Azevêdo, a força do Republicanos e a confiança depositada pelo PP, legenda que abriu as portas quando poucos acreditavam em sua volta a politica lá atrás, comparada à trajetória de uma fênix.
Não se pode apagar a realidade, a reeleição de Cícero foi conquistada em um cenário extremamente disputado, contra o então novato na política Marcelo Queiroga. Uma vitória apertada que poderia ter tido outro desfecho se não fosse o empenho das forças que estiveram ao seu lado, o PSB, Republicanos e aliados que garantiram estrutura, militância e, sobretudo, credibilidade ao seu projeto.
Imaginar Cícero rompendo com João Azevêdo e com os partidos que foram pilares de sua trajetória recente soa contraditório à sua própria história. Afinal, não foi ao lado da oposição que ele encontrou amparo nos momentos mais difíceis, como quando enfrentou acusações e viu sua esposa ser presa em uma operação. Ao contrário, quem lhe ofereceu o ombro amigo nesses momentos foram justamente os que hoje poderiam ser deixados de lado.
Do outro lado, aqueles que hoje oferecem “abrigo” a Cícero o fazem por conveniência, não por lealdade. O senador Efraim Filho já tem consolidada sua posição de candidato a governador na direita, com um projeto claro de aliança que envolve a candidatura de Marcelo ao Senado e a perspectiva de ter o clã Cunha Lima indicando o vice. Nesse cenário, Cícero não é visto como líder natural, mas sim como a última tábua de salvação para um projeto pessoal, a manutenção da candidatura de Veneziano ao Senado.
Não se trata de amor político por Cícero, e sim de um cálculo frio. Diante da força de João Azevêdo que lidera as pesquisas paga o cargo de senador, e com folga, além do crescimento meteórico de Nabor, que surge como um foguete no cenário estadual rumo ao Senado, a candidatura de Veneziano poderia se fragilizar de forma irreversível. O apelo a Cícero é, portanto, um movimento de sobrevivência, não de convicção.
Cícero Lucena, ao longo de sua trajetória, construiu uma imagem de político experiente, de diálogo e de gratidão. Romper com aqueles que lhe garantiram suporte quando poucos acreditavam em sua recuperação seria um gesto que não condiz com essa história.
Que a caminhada espiritual de Cícero em Santiago de Compostela seja, de fato, um divisor de águas. Que Deus ilumine seus passos e lhe mostre a diferença entre um projeto de grupo e uma cilada travestida de apoio. Porque, no fim das contas, quem decide é o povo, e o povo não aceita ingratidão.

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