Ricardo Coutinho rompe o silêncio, fala sobre a Calvário e diz que operação foi “espetáculo sem provas”
O ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PT), quebrou o silêncio sobre a Operação Calvário, investigação que o colocou no centro de uma das maiores crises políticas da história recente do estado. Em entrevista ao programa “Ô Paraíba Boa“, na rádio 100.5 FM, o petista afirmou nunca ter sido ouvido pela Justiça e garantiu que não há provas que o incriminem.
“Eu não tenho medo de nada. Já respondi 197 vezes e sempre pedi: coloquem uma prova sobre a mesa. Nunca apareceu nenhuma. Nunca fui ouvido pelo Ministério Público nem pela Justiça. Sabe por quê? Porque não há interesse em me ouvir. Não há provas”, declarou o ex-governador, em tom firme.
Coutinho classificou a operação como um “espetáculo político”, comparando-a à Lava Jato. Segundo ele, o processo teria sido impulsionado por uma articulação entre setores do Judiciário e da mídia para destruí-lo politicamente. “Fui transformado em boi de piranha. Criaram uma narrativa para me aniquilar e desmoralizar pessoas competentes, como Márcia Lucena. Tudo sem base técnica, sem uma prova sequer. É a mesma lógica da Lava Jato, muito barulho, pouca verdade”, afirmou.
O ex-governador também defendeu o legado de sua gestão e rebateu a tese de desvio de recursos na saúde: “Não existe governo que funcione bem, que amplie hospitais, que dobre leitos e, ao mesmo tempo, desvie dinheiro. Isso é tecnicamente impossível. O Hospital de Trauma, por exemplo, funcionava com o dobro de leitos e metade do custo de outros estados”, disse.
A Operação Calvário, iniciada em 2018, investiga um suposto esquema de desvio de verbas públicas por meio de Organizações Sociais (OSs) contratadas para administrar áreas da saúde e da educação entre 2011 e 2019. De acordo com o Ministério Público, o dano estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 134 milhões.
Na sétima fase da operação, batizada de Juízo Final, Ricardo teve prisão preventiva decretada, juntamente com outros ex-gestores e aliados políticos, entre eles a ex-secretária de Saúde Cláudia Veras, o ex-procurador-geral Gilberto Carneiro, e a então prefeita de Conde, Márcia Lucena.
Apesar das acusações, Ricardo Coutinho segue defendendo sua inocência e sustenta que a operação foi movida por “interesses políticos e midiáticos”. “Eu nunca temi a verdade. O que não aceito é uma injustiça construída em cima de mentiras”, concluiu.

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